Você coloca R$ 20 por dia no Google Ads, espera o telefone tocar e, duas semanas depois, conclui que “anúncio no Google não funciona”. O painel mostra poucos cliques, a campanha fica limitada pelo orçamento e sobra a sensação de que o canal é furada. Se você já se queimou com agência, o problema quase nunca foi “o Google”. Foi começar sem saber quanto custa anunciar no Google Ads de verdade no seu setor.
A resposta tem três camadas: o que o Google cobra (mídia), o que o clique costuma valer no Brasil e quanto de verba a campanha precisa para aprender. Abaixo estão regras oficiais, faixas do Planejador publicadas em outubro de 2026 e benchmarks de agência — todos com fonte. Nenhum número é preço da ArcWords.
Pontos principais
- O Google Ads não tem valor mínimo nem mensalidade: você define o orçamento diário e paga pelos cliques (Ajuda do Google Ads).
- No mês, o gasto não passa de 30,4 × o orçamento diário; num dia, pode chegar a 2 × o diário.
- Em buscas brasileiras, o lance de topo vai de menos de R$ 1 (floricultura) a mais de R$ 60 (contabilidade para empresas), segundo o Planejador consultado pela Ciclicko em out/2026.
- Para a campanha de pesquisa aprender, conte com pelo menos 10 cliques por dia. Em negócio local, isso costuma dar entre R$ 900 e R$ 3.600/mês só de mídia.
- Fee de gestão é outra conta. Não misture com o que você paga ao Google.
O Google Ads tem valor mínimo?
Não. A página oficial sobre lance e orçamento não exige investimento mínimo. Você escolhe o orçamento diário médio; o mês equivale a diário × 30,4.
Poder começar com pouco não é o mesmo que a campanha aprender. Se o clique custa R$ 8 e você põe R$ 10 por dia, compra cerca de um clique por dia. A conta fica “limitada pelo orçamento”, aparece em poucas buscas e não junta dados. Daí nasce o mito de que Ads não funciona.
Três regras da fatura, na mesma ajuda do Google:
- Você define um orçamento diário médio.
- Num dia de muita procura, o gasto pode chegar ao dobro.
- No mês, você nunca paga mais do que 30,4 × o diário. Exemplo oficial: R$ 10/dia → no máximo R$ 304 no mês.
O lance máximo de CPC é o teto. O CPC real costuma ser menor: o Google cobra só o necessário para manter a posição.
Quanto custa o clique no Brasil em 2026
O preço depende do setor, da intenção da busca e da concorrência. A Ciclicko publicou, em outubro de 2026, a faixa de lance para o topo da página no Planejador, para buscas no Brasil:
| Busca | Lance de topo de página |
|---|---|
| floricultura | R$ 0,91 – 3,44 |
| pizzaria delivery | R$ 0,84 – 3,20 |
| pet shop | R$ 0,94 – 5,60 |
| eletricista | R$ 2,66 – 9,48 |
| dentista para implante | R$ 3,75 – 16,21 |
| advogado trabalhista | R$ 7,87 – 18,89 |
| escola de inglês | R$ 5,08 – 21,46 |
| dedetização | R$ 7,08 – 31,29 |
| contabilidade para empresas | R$ 7,23 – 61,32 |
Fonte: Ciclicko — Quanto investir no Google Ads (Planejador, out/2026; a página traz a tabela completa).
Volume e preço não andam juntos: buscas baratas com muito volume coexistem com nichos caros e pouco volume. O topo (R$ 30–60) é disputa competitiva — não é “golpe”, é leilão.
No estudo de CPC por setor (103 setores, Planejador via API em 13/10/2026), a mediana do ponto médio do lance de topo ficou em cerca de R$ 4,96. A metodologia avisa: lance de topo ≠ CPC pago de fato. Cidade, horário, concorrência e Índice de Qualidade mudam o valor real.

Benchmarks de agência (não oficiais do Google)
A Intent Marketing publica faixas de CPC médio em campanhas de pesquisa otimizadas (Intent Marketing, 2026):
| Nicho | CPC médio (benchmark de agência) |
|---|---|
| Advocacia | R$ 5 – 20 |
| Saúde / clínicas | R$ 3 – 12 |
| Imóveis | R$ 3 – 10 |
| Educação / cursos | R$ 1 – 5 |
| Serviços locais gerais | R$ 1 – 4 |
| E-commerce / varejo | R$ 0,50 – 2 |
| SaaS / software | R$ 4 – 15 |
Trate como ordem de grandeza de quem opera contas. Para o seu negócio, a régua certa é o Planejador na sua conta.
Como estimar a verba: 10 cliques por dia
A Ciclicko resume a conta útil para quem ainda não anunciou:
Orçamento mensal ≈ cliques por dia × CPC × 30,4
Eles recomendam pelo menos 10 cliques por dia numa campanha de pesquisa. Exemplos da própria página (CPC no meio da faixa, só mídia):
| Negócio | Clique (exemplo) | Cliques/dia | Por mês |
|---|---|---|---|
| Pizzaria com delivery | R$ 2 | 15 | R$ 912 |
| Eletricista ou encanador | R$ 5 | 10 | R$ 1.520 |
| Advocacia trabalhista | R$ 12 | 10 | R$ 3.648 |
Em negócio local, a faixa citada fica entre cerca de R$ 900 e R$ 3.600/mês só de anúncio. Em SP, a StrateG sugere R$ 3–5 mil/mês de mídia para negócio local (sugestão de agência, não cobrança do Google; ver também quanto custa um gestor de tráfego).
Passo a passo sem inventar número
- Abra o Planejador de palavras-chave (gratuito na conta Google Ads).
- Anote a faixa de lance de topo das buscas de quem já quer contratar.
- Escolha um CPC de referência no meio da faixa.
- Multiplique por 10 cliques/dia e por 30,4.
- Compare com a margem do seu serviço: se o custo por cliente estimado for maior que o lucro, o problema pode ser a página ou o ticket — não só o CPC.
Começar com R$ 300/mês (~R$ 10/dia) é permitido. Com clique de R$ 2,50, dá em torno de 120 cliques no mês: pouco para aprender. Se for o teto do caixa, concentre em poucas buscas locais de alta intenção.

Mídia versus fee: duas contas
O dinheiro dos anúncios vai direto ao Google. A gestão é outro custo. Misturar os dois na proposta é o atalho para se queimar de novo. O fee tem faixas próprias em quanto custa um gestor de tráfego; aqui o foco é só o que o Google cobra.





