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Primeira página do Google: quem clica no 2º resultado?

Quantos cliques sobram para quem está na primeira página do Google? Veja os dados de CTR por posição, a busca zero clique e o efeito dos resumos de IA.

Capa do artigo Primeira página do Google, quem clica no 2º resultado, com arcos rosa e ciano sobre fundo escuro.

Faça um teste rápido: qual foi a última vez que você foi até a segunda página do Google? Se não lembra, você está na maioria. Quase todo dono de empresa já ouviu que precisa "aparecer na primeira página do Google". O que pouca gente conta é que estar na primeira página não é a mesma coisa que ser clicado. Entre o 1º e o 10º lugar existe um abismo, e em muitas buscas o clique nem chega a acontecer.

Este artigo junta os estudos mais citados sobre o assunto (CTR por posição, busca zero clique e o efeito dos resumos de IA) e traduz o que eles significam para quem paga as contas. Um aviso honesto antes de começar: os dados são dos Estados Unidos e da Europa, porque é onde esses painéis de navegação foram medidos. O Brasil não tem um estudo público equivalente. Os números servem como ordem de grandeza, não como promessa.

Pontos principais

  • Num estudo com cerca de 4 milhões de resultados, o 1º lugar orgânico teve CTR médio de 27,6%, e os três primeiros ficaram com 54,4% dos cliques.
  • Sair do 2º para o 1º lugar rendeu, em média, 74,5% mais cliques. Já entre o 9º e o 10º quase não há diferença.
  • Em 2024, perto de 6 em cada 10 buscas no Google terminaram sem clique nenhum, nos EUA e na União Europeia.
  • Quando aparece um resumo de IA, as pessoas clicaram num resultado tradicional em 8% das visitas, contra 15% sem resumo (Pew, 2025).
  • O objetivo real não é "estar na primeira página": é ser a resposta mais útil para a busca certa, e ser lembrado mesmo quando não há clique.

Quantas pessoas clicam no primeiro resultado do Google?

O estudo mais famoso sobre o tema é do Backlinko, que analisou dados de Search Console fornecidos pela Semrush: 1,3 milhão de páginas e mais de 12 milhões de consultas. As principais conclusões (estudo de CTR orgânico do Backlinko):

  • O 1º resultado orgânico tem CTR médio de 27,6%. De cada 100 pessoas que veem a página, quase 28 clicam nele.
  • O 1º lugar tem 10 vezes mais chance de clique do que o 10º.
  • Os três primeiros resultados levam 54,4% de todos os cliques.
  • Apenas 0,63% das pessoas clicaram em algo da segunda página.

Você sabia? A frase "o melhor lugar para esconder um corpo é a segunda página do Google" é piada antiga de SEO, mas o número do Backlinko mostra que ela tem fundo de verdade: menos de 1 pessoa em 100 vai até lá.

Então, quem clica no 2º resultado?

Bem menos gente do que no 1º. No mesmo estudo, subir do 2º para o 1º lugar trouxe, em média, 74,5% mais cliques. É o maior salto de toda a página. Na outra ponta, sair do 10º para o 9º rendeu só 11% a mais, e as posições 8 a 10 tiveram CTR praticamente igual.

O próprio Backlinko observa um detalhe curioso: há um pico de cliques na posição 8, provavelmente porque é onde o olho para quando a pessoa rola até o fim da página. A lição para o dono de empresa é direta: comemorar "entrei na primeira página, em 9º" é comemorar pouco. O dinheiro está no topo.

Notebook aberto na página de busca do Google, onde a disputa pelos cliques da primeira página começa.

A busca zero clique: quando ninguém clica em ninguém

Agora o dado que mais incomoda. Em 2024, a SparkToro analisou o painel de navegação da Datos (empresa da Semrush), com milhões de dispositivos, e mediu o que acontece depois de uma busca no Google (estudo de busca zero clique 2024):

  • 58,5% das buscas nos EUA e 59,7% na União Europeia terminaram sem nenhum clique. A pessoa leu a resposta na própria página, desistiu ou fez outra busca.
  • A cada 1.000 buscas, só 360 cliques nos EUA e 374 na União Europeia foram para sites que não são do Google nem anúncios.
  • Nos EUA, quase 30% dos cliques foram para propriedades do próprio Google, como YouTube, Maps e Imagens.

Para ser justo com o estudo: o painel quase não inclui iPhones, e o autor avisa que bloqueadores de anúncio podem distorcer a parte de cliques pagos. Mesmo assim, a direção é clara. Uma fatia grande das buscas se resolve dentro do Google.

Você sabia? Quem pergunta "que horas são em Lisboa" ou "quanto é 15% de 200" já tem a resposta na tela. Essas buscas nunca vão virar visita para ninguém, e é por isso que escolher a palavra-chave certa vale mais do que perseguir volume.

O efeito dos resumos de IA nos cliques

A novidade dos últimos anos são as Visões gerais criadas por IA, aquele resumo que aparece no topo de várias buscas. O Pew Research Center acompanhou a navegação real de 900 adultos americanos em março de 2025, num total de 68.879 buscas no Google (estudo do Pew sobre resumos de IA). O resultado:

Situação na busca Clicou num resultado tradicional Encerrou a navegação
Com resumo de IA 8% das visitas 26% das visitas
Sem resumo de IA 15% das visitas 16% das visitas

E o clique dentro do próprio resumo? Aconteceu em apenas 1% das visitas a páginas com resumo. No período, 18% das buscas mostraram um resumo de IA. Buscas longas e em forma de pergunta disparam mais: 60% das buscas que começavam com "quem", "o que", "quando" ou "por que" tiveram resumo, contra 8% das buscas de uma ou duas palavras.

Robô branco com lupa ao lado de uma janela de busca, ilustrando os resumos de IA que respondem antes do clique.

O Google tem outra leitura. A empresa afirma que as Visões gerais mostram links em destaque e que não há requisitos adicionais nem "otimização especial" para aparecer nelas: valem as mesmas práticas de SEO de sempre (recursos de IA e o seu site). As duas coisas podem ser verdade ao mesmo tempo: o resumo tira cliques de quem só queria uma resposta rápida, e quem é citado nele ganha visibilidade. Para entender como entrar nessas respostas, veja o guia como aparecer no ChatGPT e no Gemini.

O que esses números significam para a sua empresa

Juntando as três pesquisas, o retrato é este: o clique orgânico ficou mais disputado, se concentra no topo e, em parte das buscas, simplesmente não existe. Isso não mata o SEO. Muda o que vale a pena perseguir.

1. Escolha buscas com intenção de contratar

"O que é marketing digital" tende a ser respondida na própria página. "Dentista que atende sábado em Moema" ou "orçamento de site institucional" é outra conversa: quem digita isso quer agir, e a resposta ideal está num site ou no Perfil da Empresa no Google. Concentre esforço nessas buscas. Para negócios de bairro, o SEO local costuma ser o atalho mais curto.

2. Brigue pelo topo, não pela página

Se o 1º lugar tem 10 vezes mais cliques que o 10º, é melhor dominar 5 buscas certas do que ficar em 9º em 50. Isso significa páginas específicas, que respondem uma pergunta de cada vez, em vez de uma página genérica tentando ranquear para tudo.

3. Ganhe o clique com título e URL

O mesmo estudo do Backlinko encontrou CTR maior em títulos de 40 a 60 caracteres e em URLs parecidas com a busca. São correlações, não garantias, mas custam pouco: um título claro, com a palavra que a pessoa digitou, e um endereço legível como /blog/quanto-custa-um-site/ em vez de /pagina?id=8231.

4. Seja lembrado mesmo sem clique

Se 6 em cada 10 buscas terminam sem clique, a marca precisa aparecer na própria resposta: nome da empresa no Perfil da Empresa, avaliações reais, conteúdo citado nos resumos. É a parte do SEO que não aparece no relatório de cliques.

Letras S, E e O com padrões coloridos sobre fundo branco, símbolo do SEO para chegar à primeira página do Google.

Como aparecer na primeira página do Google (sem cair em promessa)

Não existe atalho, mas existe ordem. Para quem está começando, a sequência que costuma dar resultado é esta:

  1. Garanta o básico técnico: site indexado, rápido no celular, com uma página por serviço. O site institucional bem estruturado é a base de tudo.
  2. Mapeie as perguntas reais dos clientes: o que eles perguntam no WhatsApp antes de comprar vira pauta de página e de artigo.
  3. Responda melhor que os 3 primeiros: abra a busca, leia o que está no topo e escreva algo mais completo, mais claro ou mais local.
  4. Cuide do Perfil da Empresa no Google: é ele que aparece no mapa, que em muitas buscas locais ocupa um espaço de destaque na página.
  5. Meça no Search Console: posição média, impressões e CTR por página mostram onde vale insistir.

Os detalhes de cada passo estão no guia de SEO para pequenas empresas.

Erros comuns na disputa pela primeira página

  • Medir sucesso por "estar na primeira página". Em 9º lugar, você está lá e quase ninguém clica.
  • Perseguir só palavras de alto volume. Muitas são respondidas na própria busca e nunca viram visita.
  • Acreditar em garantia de posição. O próprio Google diz que ninguém pode garantir o primeiro lugar e pede cuidado com quem promete "relacionamento privilegiado" ou "envio prioritário" (você precisa de SEO?).
  • Achar que anúncio ajuda o orgânico. Segundo o Google, anunciar não tem qualquer influência na posição orgânica.
  • Ignorar o título da página. É o "anúncio grátis" do seu resultado; título genérico perde o clique até em boa posição.

Perguntas frequentes

Quantas pessoas clicam no primeiro resultado do Google?

No estudo do Backlinko, o 1º resultado orgânico teve CTR médio de 27,6%, ou seja, perto de 28 cliques a cada 100 pessoas que viram a página. O número muda muito conforme a busca, a presença de anúncios e de resumos de IA.

O que é busca zero clique?

É a busca que termina sem clique em nenhum resultado: a pessoa encontrou a resposta na própria página do Google, desistiu ou buscou de novo. Em 2024, segundo a SparkToro e a Datos, foram 58,5% das buscas nos EUA e 59,7% na União Europeia.

Os resumos de IA do Google reduzem os cliques no meu site?

No estudo do Pew de 2025, quem viu um resumo de IA clicou num resultado tradicional em 8% das visitas, contra 15% de quem não viu. O efeito é maior em buscas longas e em forma de pergunta. Ser citado no resumo ajuda na visibilidade da marca.

Vale a pena investir em SEO se tanta gente não clica?

Sim, desde que o foco seja nas buscas com intenção de contratar e nas buscas locais, que costumam levar a site ou ao Perfil da Empresa. O que deixou de valer a pena é produzir conteúdo genérico só para "aparecer".

Quanto tempo leva para chegar à primeira página do Google?

Não existe prazo garantido. Depende da concorrência da busca, da qualidade do site e do conteúdo. Desconfie de quem promete posição ou data: o Google afirma que ninguém pode garantir o primeiro lugar.

Resumo

  • Na primeira página do Google, o 1º lugar leva 27,6% dos cliques em média e os três primeiros ficam com mais da metade.
  • Subir do 2º para o 1º rende 74,5% mais cliques; entre o 8º e o 10º quase não há diferença.
  • Perto de 6 em cada 10 buscas terminam sem clique, e os resumos de IA reduzem ainda mais o clique em resultados tradicionais.
  • A saída é escolher buscas com intenção de compra, brigar pelo topo com páginas específicas e construir marca para ser lembrado mesmo sem clique.

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