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Apuração eleições 2026: por que político precisa de marketing digital

Apuração eleições 2026: o voto é conquistado antes, nas telas. Marketing digital nas eleições, a estratégia de Pablo Marçal em 2024 e as regras do TSE para campanhas.

Capa do artigo Apuração eleições 2026 e marketing político, com arcos rosa e ciano sobre fundo escuro.

Domingo, 4 de outubro de 2026, 17h. As urnas fecham. Em milhões de telas, o contador da apuração eleições 2026 começa a subir, boletim por boletim, e cada atualização acelera o coração de alguém.

Mas o que esse contador mostra já foi decidido. Os votos que aparecem esta noite foram conquistados antes: em meses de pré-campanha, em vídeos assistidos no ônibus, em lives, em grupos de WhatsApp, em cortes compartilhados de mão em mão. Cada vez mais, a eleição é ganha numa tela antes de ser contada na urna.

E a campanha que ignora o digital entra na disputa com uma mão amarrada.

Este texto não fala de candidato, partido nem resultado de 2026: não há contagem de votos, pesquisa ou previsão. É método, para políticos, pré-candidatos e equipes de campanha: as regras do TSE, com fonte oficial, e um caso real de 2024 que mostra até onde o digital leva uma candidatura, e onde pode derrubá-la. No fim, um plano de 7 dias.

Como acompanhar a apuração das eleições 2026 pelo TSE

O Tribunal Superior Eleitoral informa que a votação terminou às 17h, no horário de Brasília, e que a apuração do 1º turno começou nesse mesmo horário (TSE). Os canais oficiais são:

  • Site Resultados do TSE: não precisa instalar nada e funciona no computador e no celular (página de divulgação).
  • Aplicativo Resultados: para Android e iOS, com consulta por país, estado, município ou zona eleitoral e por cargo.
  • Boletim na Mão: integrado ao e-Título, lê o QR Code do Boletim de Urna e permite comparar o resultado de cada seção com o total divulgado (TSE).

Pela Resolução TSE nº 23.751/2026, a divulgação para presidente começa às 17h para todo o país; para governador, senador e deputados, é feita por unidade da Federação. Se houver 2º turno, ele será em 25 de outubro. Circulam prints e "parciais" falsas: confira sempre na fonte oficial antes de repassar.

Silhueta de mão depositando um voto na urna, ilustrando a apuração das eleições 2026.

Lição para sua campanha: a apuração inspira confiança porque qualquer um confere o número na fonte. Meça alcance, engajamento e crescimento de base toda semana, sem achismo.

O voto é decidido antes: marketing digital nas eleições

A propaganda eleitoral só é permitida a partir de 16 de agosto do ano da eleição, conforme a Resolução TSE nº 23.610/2019. Quem chega a agosto sem audiência precisa apresentar nome, história e proposta ao mesmo tempo, para um eleitor já disputado.

A pré-campanha, por outro lado, tem espaço. Segundo o TSE, mencionar a pretensa candidatura e exaltar qualidades pessoais não é propaganda antecipada, desde que não haja pedido explícito de voto. E o impulsionamento pago de conteúdo é admitido se for contratado diretamente com a plataforma pelo partido, federação ou pessoa que pretende se candidatar, identificado como conteúdo impulsionado, sem pedido de voto e com gastos moderados, proporcionais e transparentes (TSE).

Audiência não se compra em agosto. Constrói-se nos anos anteriores.

Profissional analisando gráficos de segmentação de público no laptop, como fazem as equipes de marketing eleitoral.

Lição para sua campanha: separe três públicos desde já: base fiel (quem já apoia), indecisos (quem interage, mas não se comprometeu) e desconhecidos (quem ainda não sabe quem você é). Cada um pede uma mensagem. E lembre: a lei eleitoral proíbe vender cadastros e proíbe empresas de ceder dados de clientes a candidatos (art. 31 da Resolução 23.610).

Pablo Marçal: estratégia digital que quase chegou ao 2º turno

Poucos casos mostram o poder (e o risco) do marketing político digital como a campanha de Pablo Marçal à Prefeitura de São Paulo em 2024. Não é apoio nem ataque: é análise de método, com fonte.

Os números

No 1º turno, em 6 de outubro de 2024, Marçal (PRTB) teve 28,14% dos votos válidos (1.719.274 votos) e ficou em 3º lugar. O 2º colocado teve 29,07% (1.776.127). A vaga no 2º turno escapou por 56.853 votos, ou 0,93 ponto percentual (g1; Valor, com dados do TSE).

Ele fez isso por um partido pequeno, sem recursos do fundo partidário e sem tempo no horário eleitoral gratuito de rádio e TV (Estadão; BBC News Brasil). Segundo a BBC, com dados do TSE, quase 70% da receita da campanha (R$ 7,6 milhões) veio de doações pela internet, e impulsionamento de conteúdo foi o maior item de gasto declarado.

A audiência veio antes da candidatura

Em abril de 2024, quando mal se falava da pré-candidatura, Marçal já tinha 7,6 milhões de seguidores no Instagram, e ganhou mais 5,2 milhões durante a disputa. Pelo Monitor do Debate Político no Meio Digital, a média de visualizações de vídeos saltou de 87 milhões por mês (janeiro a abril) para 382,6 milhões (maio a outubro), com pico de 749,1 milhões no mês anterior ao 1º turno (Folha).

O que funcionou dentro das regras

  • Vídeo curto com gancho: falas de efeito pensadas para virar corte. "Isso aqui vira um corte", disse ele numa entrevista, segundo a Folha.
  • Conteúdo de debates e sabatinas reaproveitado em escala: um único corte de debate somou 43,3 milhões de visualizações, segundo dados do Datafolha e da Codecs citados pela Folha.
  • Programa próprio nas redes: sem TV, a campanha anunciou um programa nas redes sociais no mesmo horário da propaganda gratuita, com investimento previsto em tráfego pago (VEJA).
  • Memes e vocabulário próprio: memes que viralizaram no início de 2024 e palavras repetidas ("prosperar", "destravar") criaram reconhecimento e pertencimento, segundo especialistas ouvidos pela Folha.
  • Mobilização de apoiadores: vídeos prontos para repassar no WhatsApp e convites para gravar depoimentos de apoio, segundo a mesma reportagem da Folha sobre os cortes.

Onde a linha foi cruzada

  • Provocação como motor de atenção. Um professor de comunicação política resumiu o método como "polêmica, treta e entretenimento" (Folha). Segundo a BBC, a estratégia de polêmicas o impulsionou, mas saiu pela culatra ao menos três vezes, inclusive com um pedido público de desculpas por ter passado "dos limites".
  • Cortes pagos. Competições premiavam em dinheiro os cortes de maior engajamento. Em 24 de agosto de 2024, a 1ª Zona Eleitoral suspendeu os perfis usados na monetização e proibiu a remuneração dos "cortadores", sob multa diária de R$ 10 mil (Agência Brasil). O TRE-SP manteve a suspensão por 4 a 3 (TRE-SP).
  • Inelegibilidade. Em dezembro de 2025, o TRE-SP manteve, por 4 a 3, a inelegibilidade de oito anos por uso indevido dos meios de comunicação social no "concurso de cortes", com multa de R$ 420 mil por descumprimento de ordem judicial, e afastou as condenações por abuso de poder econômico e gastos ilícitos (TRE-SP). Em agosto de 2026, o tribunal rejeitou os embargos da defesa, mantendo a inelegibilidade até 2032 (g1). Outra condenação, sobre apoio a vereadores em troca de doações via Pix, foi revertida por unanimidade (TRE-SP).
  • O laudo falso. Na antevéspera do 1º turno, ele divulgou, em vídeos e numa live no YouTube, um suposto laudo médico atribuindo uso de drogas a um adversário (g1). A Justiça Eleitoral mandou remover os vídeos e suspendeu seu perfil no Instagram por 48 horas (Folha); a Polícia Federal confirmou que a assinatura do médico era falsa e indiciou Marçal por uso de documento falso (g1). Em fevereiro de 2026, a ação penal foi suspensa por dois anos em acordo com o Ministério Público Eleitoral, com multa e comparecimento periódico em juízo (g1).

Lição para sua campanha: a estratégia de Pablo Marçal prova duas coisas ao mesmo tempo. Audiência própria, vídeo curto, reaproveitamento de conteúdo e frequência podem colocar uma candidatura sem TV a menos de um ponto do 2º turno. E pagar por divulgação, desinformar ou atacar com mentira pode custar perfis, multas e anos de inelegibilidade. Use a força do digital inteira, dentro da regra do TSE.

Se você já pensa em 2028, uma pausa rápida: não precisa fazer tudo ao mesmo tempo. Toda boa campanha começa por uma frente só.

Anúncios políticos: as regras do jogo

Pela Resolução 23.610, propaganda eleitoral paga na internet só existe como impulsionamento, contratado exclusivamente por partidos, federações, coligações, candidatos e representantes (art. 29). Cada anúncio precisa mostrar o CNPJ ou CPF do responsável e a expressão "Propaganda Eleitoral". Das 48 horas antes até 24 horas depois da eleição, a circulação paga fica proibida.

  • Nada de propaganda negativa impulsionada, e é vedado usar o nome de adversários como palavra-chave em anúncios de busca (art. 28, §§ 7º-A e 7º-B).
  • Perfis de empresas não podem veicular propaganda eleitoral, nem de graça (art. 29, § 1º).
  • No Google, não há anúncio político: a política do Google Ads proíbe conteúdo político-eleitoral no Brasil (Ajuda do Google Ads), regra em vigor desde 2024 e mantida para 2026.
  • Na Meta, anúncios sobre política e eleições exigem autorização do anunciante, aviso "Pago por" ou "Propaganda Eleitoral" e ficam na Biblioteca de Anúncios por sete anos (Meta).

Lição para sua campanha: mídia paga política exige plataforma, autorização e verba planejadas com antecedência. Um gestor de tráfego organiza conta, verba e leitura dos números.

Vídeo curto, lives e WhatsApp com permissão

No feed, cada rolagem é uma urna: o polegar vota em silêncio. Abra o vídeo com o ponto central, use legenda e fale de um tema por vez.

No WhatsApp, a regra é dura: a Resolução 23.610 proíbe disparo em massa sem anuência do destinatário (art. 34) e exige que mensagens de candidatos e partidos identifiquem o remetente e ofereçam descadastramento, atendido em até 48 horas (art. 33). Proximidade sem permissão não é mobilização. É infração.

Celular com pasta de aplicativos de redes sociais, canal central do marketing digital na política.

Lição para sua campanha: transforme cada entrevista, sessão ou debate em vídeos curtos feitos pela própria equipe, e monte listas com consentimento. Para escalar o atendimento, entenda a API oficial do WhatsApp.

IA nas eleições: rótulo, transparência e limites

Pela Resolução 23.610, alterada pela Resolução nº 23.755/2026:

  • Todo conteúdo sintético feito com IA na propaganda deve informar, de forma explícita, destacada e acessível, que foi fabricado ou manipulado e qual tecnologia foi usada (art. 9º-B).
  • Chatbots e avatares não podem simular conversa com o candidato ou outra pessoa real (art. 9º-B, § 3º).
  • Das 72 horas antes até 24 horas depois do pleito, fica proibido publicar ou impulsionar novos conteúdos de IA com imagem ou voz de candidatos ou pessoas públicas, mesmo rotulados (art. 9º-B, § 3º-A).
  • Deepfake para prejudicar ou favorecer candidatura é proibido (art. 9º-C, § 1º). Em setembro, o TSE fixou que a proibição exige conteúdo realista e caracterizado como propaganda eleitoral (TSE).

Lição para sua campanha: IA para roteiro, legenda, variações de texto e leitura de comentários acelera uma equipe pequena. Com rótulo quando a regra exige e revisão humana sempre. É assim que trabalhamos o marketing com IA.

Neuromarketing político com ética

Emoção move mais do que propostas, mas a propaganda eleitoral não pode criar, artificialmente, estados mentais, emocionais ou passionais (art. 10 da Resolução 23.610). Use história verdadeira, contraste claro entre problema e proposta, repetição e prova social real.

Lição para sua campanha: uma promessa central, específica e verificável, repetida em vídeo, post, live e corpo a corpo.

Plano digital de 7 dias para pré-candidatos

  • Dia 1, objetivo: defina cargo, território e o número que vai acompanhar (seguidores na região, alcance ou contatos).
  • Dia 2, mapa de eleitores: separe base fiel, indecisos e desconhecidos.
  • Dia 3, mensagem: escreva a promessa central e a sua história em três frases.
  • Dia 4, pesquisa: estude anúncios políticos na Biblioteca de Anúncios da Meta.
  • Dia 5, vídeo: grave três vídeos curtos que abrem com um problema real do território.
  • Dia 6, regras: revise com seu jurídico eleitoral pré-campanha, impulsionamento, WhatsApp e IA.
  • Dia 7, apuração: compare com o Dia 1 e ajuste. Repita toda semana até 2028.

Perguntas frequentes

Onde acompanhar a apuração das eleições 2026?

No site ou no aplicativo Resultados, do TSE (Android e iOS), com divulgação a partir das 17h de Brasília.

Pré-candidato pode impulsionar post na pré-campanha?

Sim, segundo o TSE, desde que contrate diretamente com a plataforma, identifique o conteúdo como impulsionado, não peça voto explicitamente e mantenha gastos moderados, proporcionais e transparentes.

Pode pagar apoiadores para divulgar cortes?

Não. O TSE lembra que a lei veda contratar ou remunerar pessoas para divulgar conteúdo político-eleitoral em favor de terceiros. Em 2024, competições de cortes pagos levaram à suspensão de perfis e a uma condenação por uso indevido dos meios de comunicação.

O Google aceita anúncios políticos no Brasil?

Não. O Google Ads proíbe conteúdo político-eleitoral no Brasil desde 2024, decisão mantida em 2026. Na Meta, é preciso autorização e aviso de "Pago por" ou "Propaganda Eleitoral".

Resumo: 2028 começa esta noite

Hoje o contador chega a 100%. Amanhã começa a próxima disputa. As eleições municipais de 2028 parecem longe, mas audiência leva anos para ser construída. Em 2024, a base que fez diferença já existia meses antes da candidatura.

O voto do eleitor é decidido antes de ele ouvir o seu número. No vídeo que ele assistiu, ou pulou. Na live que acompanhou. Na mensagem que recebeu com permissão, ou na que bloqueou. Cada mês sem presença digital é um mês em que alguém ocupa esse espaço no seu lugar.

O próximo passo é pequeno e não exige decidir nada hoje:

  1. Prefere conversar: pelo contato, conte o cargo que mira, o território e em que momento está. O formulário só prepara o texto; você revisa e envia pelo seu WhatsApp. A conversa é direto com Ramon Saium, sem intermediário.
  2. Quer entender antes: veja como funcionam o marketing com IA e o trabalho do gestor de tráfego.

Se fizer sentido seguir, a proposta da ArcWords vem com escopo, entregas e o que fica de fora por escrito. A verba de mídia continua sendo decisão sua. E as regras do TSE e o seu jurídico eleitoral definem o limite de tudo.

Campanha forte não começa em 16 de agosto. Começa quando você decide construir audiência. Fale com a ArcWords pelo contato e comece pela frente que mais pesa hoje.

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